Testamento Português vs Testamento Estrangeiro para Expatriados em Portugal

Em resumo: Se vive em Portugal e tem bens aqui, um testamento público português é quase sempre a opção mais prática para esses bens. Um testamento estrangeiro não é necessariamente inválido em Portugal, mas utilizá-lo na partilha é mais lento e dispendioso. Muitos expatriados beneficiam de ter ambos — um para cada país.

Um Testamento Estrangeiro É Válido em Portugal?

Sim, com ressalvas. Um testamento validamente outorgado ao abrigo do direito do país onde foi feito, ou ao abrigo do direito da nacionalidade do testador, pode ser reconhecido em Portugal nos termos do:

Um testamento britânico validamente outorgado ao abrigo do direito inglês pode, portanto, ser juridicamente válido em Portugal. Mas validade jurídica e praticabilidade são coisas muito diferentes.

Para utilizar um testamento estrangeiro em Portugal, os herdeiros precisam tipicamente de:

  1. Obter uma apostila sobre o testamento estrangeiro
  2. Encomendas uma tradução certificada para português por tradutor juramentado
  3. Apresentar o testamento perante um notário ou tribunal português para reconhecimento
  4. Lidar com eventuais conflitos com as regras de legítima portuguesas, que podem prevalecer sobre as disposições do testamento estrangeiro

Cada passo acrescenta tempo — frequentemente meses — e custos. Num país onde a burocracia já tem o seu ritmo próprio, evitar complicações desnecessárias é sempre aconselhável.

O Que É um Testamento Público Português?

O testamento público é a forma de testamento mais comum e prática em Portugal. É:

Uma vez registado, os herdeiros podem localizá-lo facilmente após o falecimento — não há risco de um testamento ser perdido, extraviado ou desconhecido da família. Qualquer notário ou tribunal em Portugal pode consultar o registo.

Custo: tipicamente entre 150€ e 300€ para um testamento individual simples. Um valor modesto comparado com os custos de validação de um testamento estrangeiro.

A Alternativa: Testamento Cerrado

O testamento cerrado oferece privacidade: é redigido pelo próprio testador, selado num envelope e depois autenticado por um notário, que regista a sua existência sem ler o conteúdo. Após o falecimento, o envelope selado é aberto por um notário.

Esta opção é raramente utilizada por expatriados na prática — não oferece vantagens práticas relevantes para a maioria das situações, e o testamento público é igualmente robusto juridicamente, mas mais fácil de executar após a morte.

Deve Ter Tanto um Testamento Português como um do País de Origem?

Para a maioria dos expatriados com bens em Portugal e noutro país, a resposta é sim — mas com coordenação.

Dois testamentos podem coexistir, desde que redigidos de forma a:

Um notário português e o seu advogado ou notário no país de origem devem coordenar os dois documentos — ou, pelo menos, deve partilhar cada um com ambos os consultores antes de assinar.

As Legítimas em Portugal

Portugal estabelece regras imperativas de legítima (quota indisponível). Independentemente do que o testamento diga, determinados herdeiros — cônjuge sobrevivente, filhos, pais — têm direito a uma quota mínima do espólio:

Qualquer disposição testamentária que viole estas regras fica sujeita a redução por inoficiosidade. Um notário português irá identificar qualquer problema antes de o testamento ser assinado.

Passos Práticos para Expatriados em Portugal

  1. Faça um testamento público português para os bens em Portugal — é a opção mais eficiente
  2. Mantenha atualizado o testamento do país de origem para os bens aí situados, explicitamente limitado a esses bens
  3. Registe o testamento português na Conservatória do Registo Civil — o notário faz isso automaticamente no momento da assinatura
  4. Considere um Certificado Sucessório Europeu se os seus herdeiros estiverem noutros países da UE — simplifica a administração da herança transfronteiriça
  5. Organize o seu legado digital com a Sucesio — contas, palavras-passe, criptomoedas e mensagens pessoais que nenhum testamento pode transmitir sozinho

Este artigo tem fins informativos. Para aconselhamento específico sobre testamentos em Portugal ou sucessão transfronteiriça, consulte um notário ou advogado especializado.